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domingo, 8 de março de 2009

O engodo de Serra e a crise econômica

por Sylvio Micelli / ASSETJ

Cada vez mais a vida do funcionalismo tem se tornado mais difícil, graças às manobras dos que fingem que governam.

José Serra, governador paulista, apresentou projeto para o reajuste do salário mínimo estadual. Numa clara atitude eleitoreira, o pré-candidato tucano à presidência da República faz reverência com o chapéu alheio. Claro que não somos contra o reajuste de salários dos trabalhadores da iniciativa privada. E a bem da verdade, o valor de R$ 545 proposto pelo Projeto de Lei nº 70, de 2009, está bem aquém da poesia constitucional que cerca o salário mínimo. O importante Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) já cansou de comprovar que o salário mínimo nacional deveria ser por volta de R$ 2 mil.

O projeto tucano deve ser aprovado pela Assembleia Legislativa. Primeiro, porque o governo tem ampla maioria e o nosso Legislativo, há muito, virou um mero carimbador de projetos encaminhados pelo Palácio dos Bandeirantes. Segundo, porque em sã consciência, nenhum parlamentar, mesmo da oposição, votaria contrariamente à proposta.

A pergunta que fica ao governador, porém, é: e a data-base do funcionalismo? Quando será cumprida? Os servidores do Judiciário e do Legislativo têm conseguido, às duras penas, com negociações cansativas e inúmeras reuniões, arrancar a fórceps, a reposição salarial anual, outra poesia constitucional que o governo cumpre quando quer e se quiser. No caso dos servidores do Executivo, nem isso. A alegação, nos últimos três anos, é que a quantidade de funcionários públicos é muito grande e que o "pobre" estado de São Paulo não tem como arcar com as despesas "elevadas" de sua máquina administrativa.

Uma grande enganação. O descalabro tucano se arrasta por quase 15 anos sem que haja um aumento real de salário e, nem mesmo as parcas reposições salariais, são respeitadas. Sendo Vossa Excelência tão preocupada com os salários dos trabalhadores da iniciativa privada, que tal fazer a lição de casa hein, governador?

Agora então, Serra e outros governantes de plantão têm uma desculpa perfeita, uma verdadeira panacéia: a crise econômica! Não tem dinheiro para o funcionalismo? Crise econômica! Os bancos tiveram seus lucros "reduzidos"? Crise econômica! Está com unha encravada? Crise econômica! Seu time vai mal no campeonato? Crise econômica!

O Banco Nossa Caixa, do governo do estado de São Paulo e que foi vendido ao Banco do Brasil, teve lucro líquido de R$ 646,5 milhões em 2008, um crescimento de 113,3% em relação ao ano anterior, segundo informações do próprio banco.

Que a crise existe é fato. Não é a "marolinha" afirmada pelo presidente Lula, mas também não é a corrida de touros pelas ruas de Pamplona.

Mente quem diz que não se pode conceder reposição salarial ao funcionalismo por conta da crise econômica, e isso, em qualquer instância de governo - Federal, Estadual e Municipal. Mesmo com os problemas nascidos com o subprime americano, o País tem batido recordes de arrecadação. A peça ficcional orçamentária, aprovada por todos os legislativos do Brasil a começar pelo Congresso Nacional, sempre é subfaturada, ou seja, é apresentada pelos governos em valor menor e sem considerar o acréscimo da arrecadação que ocorre ao longo do ano.

Ao governante cabe zelar pela boa prestação dos serviços públicos. E que começa com salários e condições dignas de trabalho aos seus servidores.

Texto originalmente publicado no jornal Assetj Notícias 123 - Março 2009

10 comentários:

Gleison disse...

Excelente texto, Sylvio. Permite-me postá-lo em meus blogs?
Abraços
Gleison
http://escritorincipiente.blogspot.com
http://servtjsp.blogspot.com

Gleison disse...

Obrigado Sylvio, já publiquei o texto e coloquei o link do seu blog nos meus.
Abraços
http://escritorincipiente.blogspot.com/
http://servtjsp.blogspot.com/

Gleison Zambon disse...

Tá publicado:
http://servtjsp.blogspot.com/
http://escritorincipiente.blogspot.com/

Daniel Gardino Alves Gomes disse...

A crise econômica caiu como uma luva para as pretensões tucanas de não aumentar o salário de ninguém para garantir um bom fundo de reserva para a campanha do Vampiro Serra na presidência do ano que vem. Já vejo os editorias tendenciosos do Estadão dizendo "que audácia dos servidores! Pedir aumento em plena crise econômica!"

Ana Paula disse...

Quem de nós já não sabia que essa crise econômica iria ser uma excelente desculpa para não termos aumento?

Sergio Pelegrinni disse...

Parabéns, pena que não chegue a quem deveria!

Zé Ricardo Nery disse...

Excelente texto...

Jair Castilho disse...

texto
parabéns companheiro sylvio!

Gleison disse...

"...graças às manobras dos que fingem que governam..."
Pois eu diria mais, Sylvio. Temos um executivo que finge que governa, um legislativo que finge que legisla, e um judiciário,que finge que faz justiça. Exceto quando se trata de "interesses comuns", como no caso dos subsídios dos magistrados. O Tribunal propõe, a assembléia aprova e o executivo sanciona, tudo rapidinho, bom para todos: juízes satisfeitos julgam os políticos que lhes favoreceram. E aí todos saem ganhando. Menos o funcionalismo...

Mary de Matos disse...

Concordo com vc, em gênero, nº e grau....Infelizmente.