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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Problemas de Aritmética

por Sylvio Micelli

Mais uma semana de paralisia geral nestas plagas. Mas também. Sem problemas. O Brasil caminha muito bem. Há casa, comida e roupa lavada para todos, não é mesmo?

Mais uma semana de paralisia geral. E com o devido respeito, uma sensação de coito interrompido na discussão entre Jefferson e Dirceu que não houve. Na terça-feira parecia jogo de Copa do Mundo. Todos grudados na telinha torcendo pelo Brasil. Contra um adversário invisível. Ou quiçá, indizível. Jogo de 0 a 0. E este périplo de CPIs começa a cansar.

Dizem que quanto mais provas, mais documentos, mais prolixidade, menos solução. Fujo aqui da turba que almeja sangue e cabeças em bandejas para regozijo das Cleópatras de plantão. Mas quero solução e começo a desconfiar que o caso de Lula, Valério e companhia, será como Collor, PC e companhia. Apenas um emblema. Uma pregação no deserto. Mas ao final, inexoravelmente, mudar-se-ão os cães, mas as coleiras lá permanecerão incólumes.

Nosso presidente - sim, votei nele e não me escondo agora - começou uma campanha pela reeleição. Substituiu o "aquilo roxo" de Collor pelo "terão que me engolir" que nem é dele e sim de Zagallo, nosso interminável técnico. Roteiro de filme velho. Lula, porém, não disse quem deverá engoli-lo. Se é a patuléia da qual faço parte, já estamos engolindo, num eterno gerúndio, anos a fio, diversos sapos - barbudos ou não. Lula foi para sua terra natal. Quem sabe para recobrar as energias que lhe faltam no Planalto. Afinal, o clima seco e inóspito de Brasília deve estar potencializado estes dias.

Resolver o problema do Brasil é simples. Caso de aritmética. Pouco conheço de números. Não gosto deles. Sei, apenas, contas de subtração do meu salário que nunca chega ao fim do mês. Prefiro as letras. Mas suponho que se soubéssemos as quatro operações matemáticas tudo seria resolvido. Quem sabe ressucitássemos Pitágoras ou Tales para que eles nos explicassem alguma coisa. Se bem que nunca entendi seus teoremas. O único teorema que compreendi na minha vida ignara foi o de Renato Russo.

Mas Pitágoras ou Tales ou ambos talvez explicassem, com os milhões que ouvimos nas últimas semanas, o quanto do nosso parco dinheiro multiplica-se para poucos dividirem. Com os catetos e a hipotenusa poderíamos comprender o salário mínimo do brasileiro. E volto ao caso da casa, comida e roupa lavada. Com R$ 300 de salário é impossível atender a esta versão básica, 1.0 de ser humano. Não há subtração que faça milagres.

O cofrinho do brasileiro não tem direito ao mensalão. O brasileiro não consegue pensar em um mês... Porque luta no dia-a-dia pela sobrevivência. Pode parecer até discurso panfletário. Mas não me resta outro pela situação.

Texto originalmente escrito em 07/08/2005

Um comentário:

Alethea Brasil disse...

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