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domingo, 16 de novembro de 2008

"Tempos Modernos" - Uma análise do Fordismo e Taylorismo

Clássico do cinema mundial, o filme “Modern Times” de Charles Chaplin é uma aula de como podemos estabelecer conceitos críticos em relação ao binônio e/ou dicotomia homem-máquina. Lá está, de forma escancarada e até sarcástica, a transformação do homem como engrenagem das máquinas, a privilegiar a produção em detrimento do sentimento do próprio ser humano.

O início do filme já nos dá forte indicativo das críticas a serem abordadas. Um relógio abre o filme ao raiar de um novo dia. Como porcos que caminham no abatedouro, Chaplin traz os operários que batem o ponto e começam mais um jornada. O homem já não é mais dono do seu tempo, nem de sua própria vida. Ele é uma roldana da máquina. O modelo Taylorista e sua evolução Fordista é o mote do filme. O combate à vadiagem sistemática se dá por meio de supervisores que evitam qualquer pequeno desvio de atenção.

Enquanto isso, o dono da empresa, controla a tudo e a todos por meio de um vídeo, enquanto ordena o aumento na velocidade da produção. Os operários tornam-se bitolados. Chega-se ao cúmulo de tentarem desenvolver uma máquina para alimentar o funcionário para combater a sua "ociosidade". Claro que a invenção não dá certo. Não pelo respeito ao funcionário. Mas porque o dono achou o "bólido" contraproducente. Neste ponto do filme, Chaplin flerta levemente com a implosão do feudalismo, que se originou, basicamente, da exploração, até à exaustão, do servo pelo senhor feudal.

Voltando à época em que o filme foi ambientado, temos uma análise da crise de 1929, que gerou demissões e fechamento de fábricas em massa, revoltas sindicalistas, crimes famélicos e depressão.

Entre surtos psicóticos diversos, Chaplin vai e vem da prisão várias vezes. Lá ele se sente feliz e protegido, porque perdeu a total noção de liberdade, posto que é já age como parte de uma engrenagem. Ele troca sua liberdade de ir e vir por um canto seu e ter o que comer, sem refletir sobre o fato de estar vivo e liberto.

Mesmo assim, ele ainda sonha com o paraíso. A simplicidade de uma casinha com a mulher amada, porque mesmo sendo desprovido de uma liberdade física ele sempre faz despertar a criança que existe dentro de nós.

Chaplin volta ao trabalho. Agora, o homem não é mais uma engrenagem da máquina. Ele é engolido pela própria máquina. Seu companheiro de trabalho "esmagado" pela máquina e sendo alimentado por Chaplin é a prova de que os métodos de trabalho, desenvolvimentos por Taylor e ampliados por Ford, deram certo. Mas retira do homem toda e qualquer capacidade de discernimento ou raciocínio lógico. Há também uma flagrante referência às experiências de reflexo condicionado do cão de Pavlov, quando vimos os operários responderem a comandos de som.

A exploração extremada do operário gera um ciclo vicioso, novas greves e tentativas de recomeço... Mas aí vem a autoridade constituída, até para a manutenção do status quo e tenta acabar com os sonhos.

Como alternativa temos a fuga e o recomeço da caminhada num constante duelo de preponderar o homem sobre a máquina.

Ivan L. Jacob, Junior E. Rosa, Rogério Miranda, Luciana Ueda, Leandro Vieira e Sylvio Micelli
(*) Trabalho de alunos de Economia da Unicsul - junho/ 2008

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