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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Admirável mundo velho

por Sylvio Micelli

Estou de volta após aquelas merecidas férias depois de um ano a ser esquecido. Mas a vinda do novo ano não significa, necessariamente, que haverão grandes mudanças.

2004 começa sob o signo do espetáculo do esquecimento. Lembro-me que na véspera do ano novo, enquanto me preparava para sair, vi uma senhora de uns sessenta e poucos anos revirando sacos de lixo aqui perto de casa. Para ela não existe ano novo e se ela comemorar alguma coisa, com certeza, será agradecer a Deus a sobrevivência de mais um dia de miséria. Mas isso não é assunto que interesse a maioria dos políticos, nem à mídia.

Como diz o grande Carlos Heitor Cony, sou daqueles que não entendo nada e, caso quisesse entender alguma coisa, certamente enlouqueceria.

A Imprensa que poderia ser o elo entre o ininteligível e a sabedoria prefere cobrir assuntos de pouca importância à maioria de nós. O tesão do momento foi a "mudança" ministerial provocada por um Lula que bateu o recorde de FHC em viagens internacionais. Ministérios, diga-se a realidade, que são verdadeiros objetos de leilão, em nome da tal governabilidade.

Era mais fácil chamar o cara de uma casa de leilão. Colocaríamos todos os ministeriáveis numa sala e o leiloeiro iria oferecendo. 'Quem dá mais pelo ministério tal?' 'Foi vendido para aquele cavalheiro...'

Pergunto o que tem de interessante em saber quem foi para qual ministério. Interessa àquela mulher que sobrevive, assim como milhões, do lixo alheio saber se a Benedita saiu ou se o Berzoini vai detonar a reforma trabalhista assim como fez com a previdenciária? Para o 'mico'-empresário interessa? Óbvio que não. A mídia só vai perpetrando o inconsciente coletivo.

Sempre brinco com meus amigos que o meu Corinthians foi o único campeão brasileiro que ganhou o campeonato com dois jogadores e meio. Explico: sem nenhum demérito para os demais atletas, o Timão de 1990 dependia das faltas do Neto, das defesas tresloucadas do Ronado e da sorte do Tupãzinho no segundo tempo. Pergunte a quem quiser que todos confirmarão. Aquele time foi o pior campeão brasileiro de todos os tempos! Mas resolvia, certo? Como dizia o antigo narrador Ênio Rodrigues, "o que vale é bola na rede". No caso dos ministérios é a mesma coisa. O que vale é ação, trabalho. Não adianta mudar para colocar outro inoperante. E nem precisa de tantos ministérios assim. As trocas foram pífias. Lula só fez tirar os que causaram algum dano na imagem do governo... E o resto - e é aí que reside o problema - lá permanecem!

Lula 2º ano

Poderia aqui escrever milhares de caracteres para demonstrar o quanto Lula e a sua equipe ministerial e parlamentar foram cruéis e nocivos ao serviço público, ao servidor e à toda a sociedade. Seria fácil para mim, por motivos óbvios. Mas para não acharem que estou advogando em causa própria vou falar sobre o governo no geral.

Foi um governo inexistente em 2003. Os ministros são, na grande maioria, fraquíssimos e estão lá apenas como dívida de campanha do presidente. Precisam ser mudados, no mínimo, uns dez. Prefiro não citar nomes, mas a minha lista vai além dos óbvios que vicejaram nas manchetes de jornais.

Os acordos que Lula fez para governar são nocivos à sociedade. É o repeteco daquilo que já vimos em outros governos. Dois terços do país não votamos naquilo que já era conhecido. Esperamos mudanças que não virão. Resta suportar até 2006. Como já escrevi anteriormente, o sal é o mesmo e resseca minha boca. Só mudou a logomarca.

E 2004 é ano de eleição. Espero que as primeiras respostas apareçam já nas eleições municipais... Vamos ver, se como dizem, o povo brasileiro estamos mais espertos!

Natureza viva

O imbecil do ser humano - eu, você e todos nós - insistimos em provocar a natureza. Cada qual com seu defeito. Uns provocam queimadas. Outros derrubam árvores e matam animais. Outros jogam apenas um "lixinho" na rua que vai para o bueiro e aí...

As velhas enchentes paulistanas estão de volta. Mas a natureza resolveu ir à forra. Depois do verão europeu que matou dezenas de pessoas, o norte dos Estados Unidos passa por um dos mais rigorosos invernos, ocorrem inundações no Nordeste brasileiro e aqui em Sampa, até outro dia era outono em pleno verão. Desse jeito teremos sol a pino em julho e neve com Papai Noel no Natal.

SP 450

Falar do meu amor por São Paulo é chover no molhado, aproveitando a época das inundações. Com todos os defeitos - a poluição, o trânsito, as filas da padaria ao supermercado - São Paulo é, definitivamente, a esquina do mundo. Aqui se encontra de tudo e de todos. E é esta bem a cara de São Paulo, uma babilônia a beira do caos. Mas que cresce mais linda e mais turbulenta a cada dia.

É importante destacar que São Paulo não foi feita para principiantes e que viver aqui é um aprendizado diário. Criticar o poder público é fácil. Há falhas e acertos da prefeitura e do estado, mas será que já nos perguntamos o que podemos fazer pela nossa rua? Nem precisa ser a cidade inteira. Dê você de presente a São Paulo. A cidade, afinal, é sua.

Volto meus olhos ao passado e lembro-me da minha infância lá no Jaçanã, tão famoso pelo mestre Adoniran. Lá também foi meu primeiro trabalho. Depois eu iria morar no Largo do Arouche perto do Mackenzie aonde estudei. Ah! A rua da Consolação e seu trânsito insaciável! E as baladas na Bela Vista do Madame Satã, Cais da Praça Roosevelt e tantos outros lugares da eterna boca querida da Rua Augusta. Como poderia esquecer os domingos de futebol nos ônibus do Anhangabaú até o Morumbi...

Hoje quem me hospeda é a querida Mooca, da colônia italiana, dos meus ancestrais, da boa mesa, do moleque travesso e dos canudinhos na porta da Javari. É São Paulo... quem te conhece, te ama e não esquece jamais.

Em tempo: obrigado Timãozinho! Começou a reboque e cresceu na hora certa. A fiel agradece o título - mais um - da Copa de Juniores.

Texto originalmente escrito em janeiro/2004

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