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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Estação Terminal Dezembro, solicitamos a todos que desembarquem nesta estação...

por Sylvio Micelli

Daqui exatamente um mês começaremos mais um ano. Isso se o Senhor de todas as esferas não resolver cassar nosso mandato por aqui, nos próximos dias.

Chegamos, enfim, a dezembro. Um mês onde festas, tapinhas nas costas e a santa hipocrisia social estarão em alta. O consumismo desenfreado, o trânsito ainda mais impossível, as filas intermináveis serão comesinhas nos próximas dias. Ah! Havia me esquecido da enorme procura por vagas em estacionamentos dos nossos shoppings. Por ela, hão de furar os nossos olhos, amassar o nosso carro, nos mandarem a lugares, aqui indizíveis, mas não há problemas, porque estaremos "comemorando" o nascimento do Nazareno.

Nada contra o mês. Tenho muitos amigos que aniversariam por estas semanas e já desejo a todos parabéns.

Particularmente, nunca fui fã do Natal... Ceias natalinas, salvo exceções, são reuniões familiares insuportáveis. E rezemos todos para que a bebedeira não faça de tal celebração um caos. Sempre lembro de um amigo que certa vez, mais de uma década atrás, disse-me que a família não é um grupo de pessoas que você escolheu. Você, sim, foi o premiado.

A aurora de um novo ano, vá lá... Até gosto da contagem regressiva, que repito normalmente embriagado, e dos fogos! Já tive o privilégio de curtir a virada do ano em lugares díspares. Do belo Rio de Janeiro à pacata Jacutinga (interior de Minas Gerais); de minha amada São Paulo, depois de ter "corrido" uma São Silvestre à romântica Buenos Aires.

Ah! Mas como queria ter o poder de mudar as coisas com a simples troca da folhinha na parede. Isso porque nossa vida e morte severina de cada dia, nada mais é do que um Moto Perpetuo de Paganini. E a rotina a nos corroer, simples assim, como um punhal no peito.

E o ritual de passagem que se espera de Dezembro é rotineiro. Comeremos lentilhas, trepados em cadeiras. Guardaremos, para quem conseguir achar, sementes de romã na carteira. Usaremos camisetas brancas em nome de uma paz intangível, quase utópica. Pularemos várias ondas do mar. E beberemos. Muito! Cada taça de champanhe, ou de preferência um bom Carmenère, para as desilusões do ano que se encerra. Dos amores perdidos, das palavras mal ditas e malditas e nos arrependeremos do silêncio ensurdecedor que emitimos, quando a situação exigia o berro de um pelotão. Ah! Nossos travesseiros. Os grandes conselheiros que temos e que nunca nos abandonam. Derramaremos lágrimas, rogaremos ser pessoas mais humanas e desabafaremos, a exaustão, nossa podridão acumulada nos últimos meses, na luta que travamos com o Dorian Gray que existe aqui, dentro de nós.

Dezembro tem um quê de paradoxal. Na verdade é um poema. Ora uma elegia. Ora uma ode. Seus 31 dias vão demorar, à medida que se aumenta a ansiedade. Para quê? A chegada do novo ano com o seu implacável Janeiro, mês da ressaca, das contas e das perspectivas que poderão ou não (normalmente, não!) ser alcançadas.

Não pense, você, que sou um ser negativo. Tudo bem que tenho lido muito Augusto dos Anjos ou Nietzsche. Mas, muito pelo contrário. Apenas deixo correr em mim o sangue maturado de quem já muito viu.

E depois do 1º de janeiro, virá o dia 2. E todos nós, resignados, voltaremos a trilhar os mesmos caminhos, amassar o mesmo barro com nossos pés. E tudo prosseguirá até o dezembro vindouro. Até porque nunca devemos nos esquecer de uma antiga inscrição nos relógios europeus de séculos atrás: "Vulnerant omnes, ultima necat. (Todas - as horas - ferem, a última mata)".

Texto orginalmente escrito em 01/12/2007

2 comentários:

Carlos Neder disse...

Sylvio
Agradeço a felicitação, pois sou do dia 29.

Identifico-me com o seu texto pelo realismo. Quem dera a mudança da
folhinha significasse algo de profundo.

Mas há no mês de dezembro uma energia diferente e as pessoas, ainda que levadas pelo consumismo, parecem mais abertas a outras idéias e perspectivas.

Aproveitemos, então.

Abraços, Carlos Neder
Vereador da cidade de São Paulo

Thomas Anderson dos Santos Rosa disse...

POW SYLVÃO!!

TÁ MUITO DEPRÊ...

VEM QUE EU CUIDO DIREITINHO DE VC..A GELADEIRA TÁ CHEIA!!! VC SABE DO Q....

E CADÊ O PODCAST.....FAZ MUITA FALTA!!!

ABRAÇOS PRA VC, PRA ROSE E PRO VICTOR..


THOMAS"THODAS"