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domingo, 21 de dezembro de 2008

Uma viagem sonora

Sylvio Miceli

Era preciso muito peito para viajar na música há 30 anos atrás. Viagens de LSD, bem entendido. Dentro da mesma Inglaterra, berço de Beatles e Rolling Stones, em 1965 nasceria uma banda que marcaria influência fundamental, em tudo que viria após ela.

O surgimento do Pink Floyd não difere muito das outras bandas, antes ou depois. Sem músicas de fácil consumo era complicada a adoção por uma gravadora e, principalmente, a mídia, braço direito de Lennon, McCartney, Jagger e Richards.

Richard Wright (28.07.45 / teclados), Roger Waters (06.09.44 / baixo) e Nicholas Mason (27.01.45 / bateria) eram colegas de Arquitetura (!) na terra da Rainha e juntaram-se em 65 a um sujeito muito louco, que atendia pelo nome de Syd Barret (06.01.46 / vocais e guitarra). Aliás foi Barret quem perpetrou o nome do grupo Pink Floyd, homenageando dois bluesmen: Pink Anderson e Floyd Council.

Até 1967, ano de lançamento de “The Piper at the Gates of Dawn”, o grupo passou dois anos tocando nos circuitos britânicos até assinarem um contrato com EMI. Entretanto, em que pese o fato do primeiro álbum ser excepcional e ter lançado bases para o futuro milionário da banda, “Piper” não obteve sucesso junto ao público, mesmo tendo o single “See Emily Play” chegado até o 5º posto da parada inglesa.


Sai Barret, entra Gilmour

O grande problema do “debut” do Floyd eram músicas curtas e lisérgicas de Syd Barret, que logo em seguida sairia da banda devido a problemas com drogas, principalmente, o LSD. Não que o que viria depois fosse de rápido consumo, porém, o ano de 1968, onde mudanças ocorriam ao redor do planeta foi positivo para o grupo. Com a saída de Barret, David Gilmour (06.03.44) assume a guitarra e os vocais e Waters passa a liderar.

É lançado “A Saucerful of Secrets” que substitui a postura ácida de Syd pela megalomania de Waters com música longas que, mais tarde, seriam batizadas de rock progressivo e influenciariam Yes, Emerson, Lake & Palmer, Kraftwerk e mais dezenas de bandas. O sucesso começa a sorrir para o Floyd e em 1969 é lançado o álbum ao vivo “Ummagumma”.

No ano seguinte as bases progressivas são definitivamente consolidadas com “Atomic Heart Mother” com orquestra, efeitos sonoros e visuais.


Floyd: mito e história

O nome do disco não era lá aquelas coisas: “The Dark Side of the Moon” (O lado escuro da lua). Na capa, um prisma surrealista. O primeiro e único compacto foi certeiro. No nome e em tudo. “Money” catapultou o Pink Floyd para a fama, histeria, estádios lotados, milhões de dólares, história e Guinness Book. “Dark side...” foi o disco que ficou mais tempo na parada americana, com quase 800 semanas, algo em torno de 15 anos. Ele também disputa com “Thriller” de Michael Jackson, o título de álbum mais vendido da história e briga com “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” dos Beatles, no que tange ao melhor disco de todos os tempos na opinião de críticos, público etc.

O que fez de “Dark Side...” se transformar num fenômeno foi a qualidade de um trabalho feito milimetricamente fadado ao sucesso. Foi feito para acontecer, para invadir os Estados Unidos e via Tio Sam, todos nós. E é um álbum perfeito. Impossível sua audição se não for do início ao fim. “Speak to me”, “Breath in the air”, “On the run”, “Time”, “The Great Gig in the Sky”, “Money”, “Us and them”, “Any colour you like”, “Brain Damage” e “Eclipse” formam um sentido único e completo. Pura emoção e mais alguma coisa.


Pós-mito

Passado 1973, os álbuns seguintes do Pink Floyd apenas colaboraram para o aumento da fama e da história, além de principalmente, servir de base a outros trabalhos que possuíam a temática progressiva.

Em 1975 é lançado outro torpedo: “Wish you were here”. Mais sucesso no mesmo estilo do antecessor. Em 1977 vem “Animals”, sem o mesmo apelo popular mas com o selo de qualidade do Pink Floyd.

A grande tacada final viria em 1979 com “The Wall”. O single-hit “Another brick in the wall” estoura nas paradas mundiais e vira filme de Alan Parker, três anos mais tarde.


O fim e o renascimento

Uma crise interna se instalou no Floyd durante as gravações de “The Final Cut” (1983). Wright brigou com Waters e a banda acabou sendo dissolvida. O caso foi resolvido na justiça, pois ambos disputavam a “marca” Pink Floyd. A resolução viria no final de 1986, quando foi sentenciado que o trio Wright, Gilmour e Mason tinham direito de usar o nome. Waters seguiu uma carreira solo irregular.

Em 1987, o novo Pink Floyd lança “A Momentary Lapse of Reason”, que marca o renascimento do grupo, após quase 8 anos longe de palco e público. A mega turnê é registrada no duplo ao vivo “Delicate Sound of Thunder”, em 1989. Nova pausa na carreira do trio.

Em 1994 é lançado o mais recente álbum de estúdio do Floyd: ‘Take it back”. Nova mega turnê, registrado no CD duplo ao vivo “P.U.L.S.E.” de 1995. Aliás, “P.U.L.S.E.” prima pela qualidade, não só das músicas como da concepção do álbum: um libreto de 24 páginas, de altíssima qualidade, com uma luzinha vermelha que pisca incessantemente, bem naquele estilo megalomaníaco delicioso de Pink Floyd.

Infelizmente, eles nunca vieram para a “terra brasilis”. Muitos afirmam que essa ausência durante anos deve-se às toneladas de equipamentos. É uma pena, mas quem sabe um dia, nós possamos ver essa magnitude. Ou ir até lá, né ?


DISCOGRAFIA OFICIAL

1967 - The Piper At The Gates of Dawn
1968 - A Saucerful of Secrets
1969 - Ummagumma
1970 - Atomic Heart Mother
1973 - The Dark Side of The Moon
1975 - Wish You Were Here
1977 - Animals
1979 - The Wall
1983 - The Final Cut
1987 - A Momentary Lapse of Reason
1989 - Delicate Sound of Thunder
1994 - Take it back
1995 - P.U.L.S.E.


Texto originalmente escrito em 1996

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