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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Fora Sarney ou com os seus eleitores?

por Sylvio Micelli (*)

Gosto da política. Claro que não dessa promiscuidade que a maioria dos pais-da-pátria tenta empurrar goela abaixo. Se bem que as cenas dantescas de Pedro Simon, Fernando Collor e Renan Calheiros, na reabertura dos trabalhos do Senado Federal, foram dignas dos velhos e bons filmes-pastelão. E tivemos ainda Renan, novamente, falando de "dedos sujos" com Tasso Jereissatti, um dos grão-tucanos deste País.

Sou partidário da escola aristotélica que nos ensinou sermos todos animais políticos. E como tal admito e admiro discussões que sejam feitas com o intuito do bem comum, mesmo que este "comum" reflita interesses aqui ou ali, ainda que conflitantes ou paradoxais. É importante salientar que a política não é uma coisa casta. E seria hipócrita tratar a situação de outra forma.


José Sarney é, merecidamente, a bola da vez. Mas sua queda vejo como remota. Aos 79 anos já ocupou todos os cargos da vida pública e soube, como poucos, estar sempre no poder ou circunscrito a ele. Sarney é um arquivo vivo e sabe de tudo. De líder do governo Jânio Quadros à presidência da República conseguiu "ideologicamente" militar na UDN, Arena, PDS e PMDB. É o parlamentar com mais tempo de atividade, ainda quando o Congresso Nacional estava no Rio de Janeiro. São quase seis décadas do típico coronelismo que ele tão bem encarna e que, em tese, é o último representante desta prática política. Ou ao menos é o nosso desejo.


Tantos anos no poder faz-nos lembrar do velho dito popular que aponta a boca torta ao hábito do cachimbo. Para manter seu status quo, Sarney não tem nenhum pudor em ser nepotista. Fez a carreira política da limitadíssima filha e possibilita, por meio do tráfico de influência, favores a outros parentes e apaniguados em geral. Prepotente e arrogante dá o próprio nome e o de familiares a ruas, pontes, hospitais, prédios públicos e privados em seu estado natal - o pobre Maranhão - e não está nem aí para o que se convencionou chamar de "opinião pública". Sarney conseguiu ainda, num estratagema meramente politiqueiro e que remonta ao período Vargas, eleger-se por outro estado, o Amapá, para que estivesse no Senado ao lado de seus parceiros no sacerdócio político-aristocrático de Brasília.


Sua vida pública mescla-se à privada (entendam aqui como queiram!) e Sarney tem suas chagas expostas todos os dias. Até o presidente Lula, crítico de outrora e aliado desta hora, andou meio que se esquivando ao afirmar, dias atrás, que não o elegeu, nem para senador. Aqui, apenas um lembrete. Lula elegeu Sarney presidente do Senado indiretamente quando não abraçou a candidatura de seu próprio partido com Tião Viana.

Até quando o Senado Federal ficará nessa cantilena não sei. E apesar de difícil, depois do arquivamento de todas as denúncias contra ele, até seria possível que Sarney saísse. Mas isso resolveria? Poderíamos até decepar sua cabeça em praça pública como as que rolaram na Revolução Francesa. Ainda assim, nossos problemas de corrupção endêmica não estariam sanitizados. Isso porque Sarney reflete os seus eleitores. Certo ou não, a democracia lhe deu a chamada "investidura" para exercício de um cargo eletivo.

Devemos cair fora, então, com Sarney ou com seus eleitores? A resposta é incerta. Se por um lado a democracia é benéfica, por outro, os representantes em Brasília ou qualquer longínquo grotão espelham, exatamente, a cara do Brasil. Um País sujo, corrupto e mal lavado e que só por meio de conscientização poderá, paulatinamente em décadas, higienizar todos os excrementos políticos e da própria sociedade em benefício do País.


E você, caro (e) leitor, que está do lado de cá das festas nababescas com o dinheiro público, lembre-se que quando você oferece um "cafezinho", um "agradinho" e outros tantos "inhos" nefastos, você iguala-se à marginália política, pois o princípio da corrupção é o mesmo.

(*) Jornalista Diplomado, 38 anos, Servidor Público e dirigente de entidades associativas do funcionalismo público paulista

2 comentários:

Felype Falcao disse...

Excelente reflexão! Se os que "odeiam política" ou os que têm os políticos de sua região como "verdadeiros" padrinhos despertassem para a importância não apenas do voto, mas do processo de conscientização política como um todo, talvez a situação fosse diferente... Mas como disse Luther King há quase meio século, "I have a dream"!

eduardo franca disse...

Lembro saudoso quando o LULA falou em 1989 que no congresso nacional tinha 500 picaretas e hoje em dia estou totalmente desacreditado da politica nacional, pois é dinheiro na cueca, é mensalão, é compra de votos, ajuda aos bancos, liberação do dinheiro publico para comprar e beneficiar grupos das teles.
Que saudade de um tempo em que a politica era definida pela ideologia politica.
FORA SARNEY!!!!!
E TODOS QUE COMUNGAM COM ELE AS MESMS PRATICAS.