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domingo, 7 de dezembro de 2008

11/09, 4. Ask the dust

por Sylvio Micelli

Sim! Já são quatro anos daquela terça cinzenta. Dos aviões nas torres gêmeas. O fogo lambendo o concreto. O desabamento e o pó. Neste fim de semana, meus coleguinhas de mídia, especialmente na TV, devem fazer matérias sobre o tema. Recheado de imagens assustadoras e entrevistas sobre o que mudou nesses quatro anos.


Perguntem ao pó, o que de lá para cá mudou.

Efetivamente? Nada. Bush, um medíocre que a aristocracia americana deu poder, lá permanece, reeleito. Mesmo com a sanguinária guerra ad infinitum que ele fez no Iraque. Porque ele é a tradução da sociedade americana. O extrato. A essência.

Michael Moore e seu Fahrenheit 9/11, nada também conseguiu. Aliás, em que pese ser um grande crítico da era Bush, Moore é um típico americano prolixo que tem muito a dizer, mas se perde na baixa capacidade de síntese. Ele também é um produto da ortodoxia e asfixia americanas.

Bin Laden está por aí, com seus parceiros. Num fundamentalismo cego e piegas de mera manutenção de poder, a usar buchas de canhão, na sua estratégia débil.

A Natureza está aí para lembrar que ela é a senhora de tudo. Com o furacão Katrina pudemos ter a certeza de que há terceiro mundo naquela que se julga ser sua maior potência.

Potência do quê? A não assinatura do Protocolo de Kyoto é mais uma prova da ignorância de Bush e companhia. E mais uma vez os negros são dizimados. Ora pela fome, ora pela guerra, agora pela água. Sempre pelo destempero do dito ser humano.

New Orleans, a capital do Jazz, foi esquecida pela grande potência, que acredita ser a polícia do mundo, com suas armas e milhões. Mas se esqueceu dos seus negros e de suas músicas maravilhosas.

Trocando a água e a devastação de New Orleans pelo Planalto Central tupiniquim, as discussões pseudo-morais sobre as propinas vão se esvaziando. A morte e vida severina de Severino parece ser o álibi perfeito. A cabeça ensanguentada, como sempre escrevo, para regozijo das cleópatras de plantão. O lado mais fraco, que o dito popular já determinou onde se arrebenta a corda.

Parece que o Brasil perde, mais uma vez, a inequívoca oportunidade de passar sua história a limpo. Como os americanos perderam com a reeleição de Bush.

E o pó responde. Nada mudou e nem mudará. Porque os senhores da guerra, como diriam Renato Russo e Renato Rocha, continuam não gostando de crianças. Nem de velhos. Nem de gente. O 11 de setembro, quando tivermos o Juizo Final, se é que um dia isso existirá, será apenas mais uma página.

Texto originalmente escrito em 10/09/2005

Um comentário:

Paula Batista disse...

Opa!
Parabéns!
[]'s paula batista