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domingo, 21 de dezembro de 2008

Pobre de nós, trogloditas!

Carmine Victório (*)

Perdoem-me a blasfêmia inicial. O Juiz Supremo fez o mundo, a terra, o sol e a água. Mas faltavam sal e pimenta. Mesmo se Ele concedesse a Adão o poder da maternidade ou do hermafroditismo, tudo seria muito chato. Deus, por ser onipotente, criou a mulher semelhante ao homem. Porém, muito melhor.

Desde Eva travamos uma batalha onde sempre somos derrotados. Pobre de nós, trogloditas. Nosso poder de sedução é circunstancial, forçado, artificial, estéril. Nelas, a sedução e a arte de amar são inerentes. Quem não se curva ao sorriso e até à introspeção de uma mulher ?

O que temos de melhor devemos a elas. Quando estamos no topo é a mulher que lá está, muitas vezes, incógnita. No ostracismo é ela, também, quem nos ampara. Pobre do homem que ao chegar ao seu refúgio não tenha a quem recorrer, desabafar, talvez brigar e, principalmente, amar.

Sexo frágil ? Não ! A mulher vende uma fragilidade e durante anos foi até subserviente por imposição masculina. Mas que seriam dos impérios e cruzadas sem a presença delas ? Maria Madalena, Joana D’Arc, Marquesa de Santos, Greta Garbo, Marlene Dietrich, Jackie “O”, Leila, Elis e tantas mais que influenciaram e influenciam a tudo e a todos. Há grandes homens, mas percebam que elas sempre estiveram lá, decisivas, pois as mulheres nascem grandes, dispensando letras, alfarrábios e diplomas. Só ela é menina, mãe, enfim, mulher.

Brancas, morenas, negras e ruivas, baixas ou altas, qual é a mulher ideal ? É aquela que nós idealizamos em nossos pensamentos. Viajo em cada curva e bebo em sua fonte de eterna vitalidade. Amo-as todas sem distinção, pois até o substantivo feminino é mais belo. Estrela, lua, fera, vida, saudade, verdade e tantos outros que figuram nos léxicos de plantão.

A mulher tem um quê de exótico e enigmático mas, ao mesmo tempo, é tão simples como a natureza e cada gota de orvalho que tornam as flores mais belas ao amanhecer. É o amor e este é capaz de justificar o injustificável. O amor sobrevive por si só. Não precisa de teoremas, nem teorias. Por isso, amor e mulher caminham juntos numa abstração tão real, provando que Deus é perfeito, pois deixou sua melhor obra para o final encerrando assim, o perfume que faz-nos crescer e amadurecer todos os dias.

Texto originalmente escrito em 1998, sob o pseudônimo Carmine Victório para concurso da Casa do Novo Autor Editora.

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