Maluf preso. Jefferson cassado. Severino por um triz. São notícias que tempos atrás, não imaginaríamos. Se não fosse por uma sensação de que tudo está, inexoravelmente, perdido poderíamos até imaginar que o Brasil está no caminho certo. Talvez aquele mesmo discurso nacionalista piegas do regime militar, quando se bradava que ninguém segura (sic) este país.
Temo, porém, pelo futuro. O Brasil, no campo político, ainda não tem nomes. Por conta da democracia, sou favorável que Lula termine seu mandato e que a população dê a resposta nas urnas. Mas temos pessoas capazes de mudar a ordem das coisas? Será que os brasileiros somos competentes para as necessárias e inadiáveis respostas? Mesmo cassando-se deputados em penca ou colocando, mesmo que provisoriamente, políticos corruptos atrás das grades resolvemos todos os problemas?
Acredito que não. Treze anos atrás, servindo a múltiplos interesses, Collor foi cassado. Muitos pensaram, eu incluso, que a partir de então todas as nossas mazelas seriam purificadas. Claro, e que isso fique bem explicado, que a "página Collor" foi de suma importância para o país. Mas foi pouco. E continua sendo.
A pergunta principal, e que muitos se esquecem, é onde está o dinheiro? Marcos Valério tratou milhões de reais como eu trato minhas moedas no bar da esquina. De onde veio toda esta dinheirama? Contas no exterior? Lavagem de dinheiro? Narcotráfico? O juiz Nicolau desviou milhões da obra do prédio do Tribunal Regional do Trabalho. Passou uns tempos na cadeia. Mas... o dinheiro foi repatriado? Alguns tostões, talvez. Mas o grosso está nas mãos deles, os tungadores da pátria varonil.
Fica uma sensação de vazio. E irrita-me não ter respostas. Parece que o Brasil tem caminhado, meio bêbado, meio equilibrista - permitam-me o plágio da letra de Aldir Blanc, imortalizada na voz de Elis. A economia, sob a égide do "deus-mercado", não tem dado maiores problemas. Mas mesmo assim, há muito o que fazer.
Há muitos esqueletos insepultos. Celso Daniel, Toninho de Campinas, o restaurante Fiorella, as contas de Severino e de Duda Mendonça, as exageradas viagens de Lula - até para a Guatemala! - e o sonho de uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, cuja intenção real desconheço e não compreendo. Acho que o governo tem muito ainda a fazer por aqui para mexer com a ONU, que para mim, é o 51º estado norte-americano.
Rogo para que tudo se resolva no Congresso e que o Brasil volte a trabalhar. Ainda há mendigos e malabares nos semáforos da Radial. Não quero, nem posso ser um desesperançoso como eles.
Texto originalmente escrito em 17/09/2005

