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sábado, dezembro 27, 2008

O Ter em detrimento do Ser

por Sylvio Micelli

Doces as priscas eras dos inventos e descobertas, celebrados por todos e que mudavam o rumo da humanidade. Nesta era digital que vivemos, parece que estamos sem rumo tamanha é a produção de equipamentos, os mais diversos, que brotam em nosso dia-a-dia.

Aquilo que é moderno hoje torna-se, invariavelmente, ultrapassado amanhã. Na era da evolução tecnológica e todo o seu aparato tornamo-nos reféns. É bem verdade que eu, particularmente, não fiz voto de pobreza. Gosto de coisas de qualidade, mas tento vê-las com o seu real valor de uso ou prazer que vão me proporcionar, extraindo-se qualquer sinal extra que simbolize poder ou status social. Portanto, a mera crítica pela crítica soaria hipócrita de minha parte, porque vejo importância dos aparelhos. O que causa-me incômodo, porém, é o exagero.

Claro que não vou pregar aqui que deveríamos ter ainda um telefone com disco e um aparelho cinza que freqüentava as casas três décadas atrás. Muito menos que devemos andar com os bolsos cheios de fichas telefônicas para fazer ligações no equipamento da esquina de casa. Por sinal, o orelhão, há muito, já abandonou a esquina da minha rua. Mas será que eu, você e todos nós já perguntamos o porquê da necessidade de termos um telefone celular. Pior. Será que tal aparelho, cuja finalidade essencial é fazer e receber chamadas, precisa também tocar músicas, tirar fotos, conectar-se à Internet, oferecer jogos, mensagens, além de sua utilidade precípua?

É bem provável que esta e outras perguntas nunca foram feitas e jamais o serão. É importante salientar que o crescimento de um país passa pelo seu desenvolvimento técnico, industrial, elétrico e eletrônico. Mas realmente precisamos de tudo isso? Será que não estamos mensurando os outros e nós mesmos pelo simbolismo do fetiche que Karl Marx já nos ensinou? É bem provável.

Marx desenvolveu uma teoria econômica e política baseada no fetiche e que é a idéia central de sua histórica obra. O filósofo, sociológo e economista alemão criticava os meios de comunicação de massa, a mercadoria e o capital. Segundo ele e a escola que o seguiu, o fetiche é a mola propulsora e responsável direta pela manutenção do Capitalismo e seu modo de produção. Marx determinou que o fetiche representa o simbolismo da mercadoria a projetar uma relação ou status social e que vai de encontro ao "valor de uso", ou seja, à real e necessária utilidade do produto.

Nesta ribalta do consumismo temos uma face amarga. A atual crise financeira mundial advém, em parte, do excesso de crédito concedido a pessoas que, na compulsão do ter, na competição com o outro e na valorização apenas do externo, daquilo que se pode ver tentou preencher um vazio que não é perceptível: a auto-estima.

Texto originalmente escrito em 20/10/2008

Festa do Peão de Barretos - 23/08/2008


Tradicional festa do interior de São Paulo! Apenas uma observação: não defendo a maldade em animais, muito pelo contrário. Mas faz parte da tradição e não sou hipócrita, até porque sou filho de "caipiras" e conheço a lida do interior. Além disso... faz-se coisas até piores com os próprios humanos.

terça-feira, dezembro 23, 2008

Admirável mundo velho

por Sylvio Micelli

Estou de volta após aquelas merecidas férias depois de um ano a ser esquecido. Mas a vinda do novo ano não significa, necessariamente, que haverão grandes mudanças.

2004 começa sob o signo do espetáculo do esquecimento. Lembro-me que na véspera do ano novo, enquanto me preparava para sair, vi uma senhora de uns sessenta e poucos anos revirando sacos de lixo aqui perto de casa. Para ela não existe ano novo e se ela comemorar alguma coisa, com certeza, será agradecer a Deus a sobrevivência de mais um dia de miséria. Mas isso não é assunto que interesse a maioria dos políticos, nem à mídia.

Como diz o grande Carlos Heitor Cony, sou daqueles que não entendo nada e, caso quisesse entender alguma coisa, certamente enlouqueceria.

A Imprensa que poderia ser o elo entre o ininteligível e a sabedoria prefere cobrir assuntos de pouca importância à maioria de nós. O tesão do momento foi a "mudança" ministerial provocada por um Lula que bateu o recorde de FHC em viagens internacionais. Ministérios, diga-se a realidade, que são verdadeiros objetos de leilão, em nome da tal governabilidade.

Era mais fácil chamar o cara de uma casa de leilão. Colocaríamos todos os ministeriáveis numa sala e o leiloeiro iria oferecendo. 'Quem dá mais pelo ministério tal?' 'Foi vendido para aquele cavalheiro...'

Pergunto o que tem de interessante em saber quem foi para qual ministério. Interessa àquela mulher que sobrevive, assim como milhões, do lixo alheio saber se a Benedita saiu ou se o Berzoini vai detonar a reforma trabalhista assim como fez com a previdenciária? Para o 'mico'-empresário interessa? Óbvio que não. A mídia só vai perpetrando o inconsciente coletivo.

Sempre brinco com meus amigos que o meu Corinthians foi o único campeão brasileiro que ganhou o campeonato com dois jogadores e meio. Explico: sem nenhum demérito para os demais atletas, o Timão de 1990 dependia das faltas do Neto, das defesas tresloucadas do Ronado e da sorte do Tupãzinho no segundo tempo. Pergunte a quem quiser que todos confirmarão. Aquele time foi o pior campeão brasileiro de todos os tempos! Mas resolvia, certo? Como dizia o antigo narrador Ênio Rodrigues, "o que vale é bola na rede". No caso dos ministérios é a mesma coisa. O que vale é ação, trabalho. Não adianta mudar para colocar outro inoperante. E nem precisa de tantos ministérios assim. As trocas foram pífias. Lula só fez tirar os que causaram algum dano na imagem do governo... E o resto - e é aí que reside o problema - lá permanecem!

Lula 2º ano

Poderia aqui escrever milhares de caracteres para demonstrar o quanto Lula e a sua equipe ministerial e parlamentar foram cruéis e nocivos ao serviço público, ao servidor e à toda a sociedade. Seria fácil para mim, por motivos óbvios. Mas para não acharem que estou advogando em causa própria vou falar sobre o governo no geral.

Foi um governo inexistente em 2003. Os ministros são, na grande maioria, fraquíssimos e estão lá apenas como dívida de campanha do presidente. Precisam ser mudados, no mínimo, uns dez. Prefiro não citar nomes, mas a minha lista vai além dos óbvios que vicejaram nas manchetes de jornais.

Os acordos que Lula fez para governar são nocivos à sociedade. É o repeteco daquilo que já vimos em outros governos. Dois terços do país não votamos naquilo que já era conhecido. Esperamos mudanças que não virão. Resta suportar até 2006. Como já escrevi anteriormente, o sal é o mesmo e resseca minha boca. Só mudou a logomarca.

E 2004 é ano de eleição. Espero que as primeiras respostas apareçam já nas eleições municipais... Vamos ver, se como dizem, o povo brasileiro estamos mais espertos!

Natureza viva

O imbecil do ser humano - eu, você e todos nós - insistimos em provocar a natureza. Cada qual com seu defeito. Uns provocam queimadas. Outros derrubam árvores e matam animais. Outros jogam apenas um "lixinho" na rua que vai para o bueiro e aí...

As velhas enchentes paulistanas estão de volta. Mas a natureza resolveu ir à forra. Depois do verão europeu que matou dezenas de pessoas, o norte dos Estados Unidos passa por um dos mais rigorosos invernos, ocorrem inundações no Nordeste brasileiro e aqui em Sampa, até outro dia era outono em pleno verão. Desse jeito teremos sol a pino em julho e neve com Papai Noel no Natal.

SP 450

Falar do meu amor por São Paulo é chover no molhado, aproveitando a época das inundações. Com todos os defeitos - a poluição, o trânsito, as filas da padaria ao supermercado - São Paulo é, definitivamente, a esquina do mundo. Aqui se encontra de tudo e de todos. E é esta bem a cara de São Paulo, uma babilônia a beira do caos. Mas que cresce mais linda e mais turbulenta a cada dia.

É importante destacar que São Paulo não foi feita para principiantes e que viver aqui é um aprendizado diário. Criticar o poder público é fácil. Há falhas e acertos da prefeitura e do estado, mas será que já nos perguntamos o que podemos fazer pela nossa rua? Nem precisa ser a cidade inteira. Dê você de presente a São Paulo. A cidade, afinal, é sua.

Volto meus olhos ao passado e lembro-me da minha infância lá no Jaçanã, tão famoso pelo mestre Adoniran. Lá também foi meu primeiro trabalho. Depois eu iria morar no Largo do Arouche perto do Mackenzie aonde estudei. Ah! A rua da Consolação e seu trânsito insaciável! E as baladas na Bela Vista do Madame Satã, Cais da Praça Roosevelt e tantos outros lugares da eterna boca querida da Rua Augusta. Como poderia esquecer os domingos de futebol nos ônibus do Anhangabaú até o Morumbi...

Hoje quem me hospeda é a querida Mooca, da colônia italiana, dos meus ancestrais, da boa mesa, do moleque travesso e dos canudinhos na porta da Javari. É São Paulo... quem te conhece, te ama e não esquece jamais.

Em tempo: obrigado Timãozinho! Começou a reboque e cresceu na hora certa. A fiel agradece o título - mais um - da Copa de Juniores.

Texto originalmente escrito em janeiro/2004

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Abaixo a clonagem e viva o sexo!

por Sylvio Micelli

O ser dito humano sempre quis brincar de Deus. Desde que Ele nos pôs aqui (e deve arrepender-Se amargamente), nós, um conjunto medíocre de 208 ossos (será isso mesmo?), músculos, gordura (principalmente no meu caso) etc e tal, inventamos um jeitinho de gerar a vida sem que Ele e a Natureza achem que isso seja possível.

Não saberia - pela minha própria incompetência - avaliar os motivos que levam a essa busca incessante. A verdade é que nós não nos conformamos com a morte, a nossa única e imorredoura (e me perdoem o trocadilho) realidade. A prepotência do ser humano não lhe permite morrer. Exemplos são bons e vastos na literatura.

Veja o caso e já entra como dica, o fundamental O Retrato de Dorian Gray do polêmico, e por isso mesmo genial, Oscar Wilde, um livro de dois séculos de idade.

O jovem Dorian era belo e majestoso, mas como um ser humano absolutamente normal, tinha suas fraquezas, falta de caráter etc etc e bota etc em defeito humano. Mas teve um quadro pintado por um de seus amigos e por meio da pena genial de Wilde, Dorian fez um pacto com o quadro: permaneceria belo e com o eterno frescor dos vinte anos e caberia ao quadro, devidamente escondido, sofrer as agruras do tempo e do caráter. Não conto o desenrolar da estória porque vale a pena lê-la e vê-la em filme.

No Egito Antigo, as máscaras mortuárias e todo aquele aparato belíssimo de joalheria tinha a única intenção, qual não era, da imortalidade. Até no cinema infanto-juvenil de qualidade (e que serve para os juvenis há mais tempo) temos a boa história de Harry Porter e a Pedra Filosofal. O bruxo mais famoso de Hogwarts, junto de seus amigos, tenta salvar a tal pedra que dá, a quem dela tem posse, o elixir da imortalidade.

Eis o eterno paradoxo. Queremos a imortalidade física em detrimento da espiritual. Viver 300 anos para nada realizar... Fico pensando se Shakespeare, Voltaire, Villa-Lobos e Senna, só para citar uns nomes bem esporádicos, não são imortais...

Agora vem de novo essa história do clone atrelado a uma religiosidade de origem e fundamento duvidosos. Mas que importa... Sou totalmente a favor do desenvolvimento da medicina e da tecnologia. Até acho que podem ser criados em laboratório órgãos humanos artificiais ou, sei lá, que sejam derivados de um original humano... Mas daí a criar um novo ser, não desce nem com aquele comercial grudendo da cerveja ("e tava quente pra caraca!").

Entendo também o caso de pais que não podem, irremediavelmente ter filhos. Mas a adoção consciente está aí para isso. Não posso crer que um casal - independente do sexo de nascença - sejam tão malucos a entrar numa empreitada dessas.

Se o ser humano ainda não está totalmente apto a cuidar de si mesmo, construir prédios que não caiam, erradicar as doenças que acometem as camadas mais pobres de nossos bilhões de habitantes, e a mais fácil e árdua tarefa, que é respeitar ao próximo, nem de longe está habilitado a construir um novo ser. E mesmo que consiga, temo pelo espírito dessa criação. Há um provérbio - não me lembro de onde - que diz "você pode fazer o cavalo beber água, mas não vai fazê-lo sentir sede".

Quem me conhece, sabe que sou partidário da velha forma de "humanização" da Terra. Portanto, sexistas do mundo, uni-vos! Abaixo a clonagem e viva o sexo... A sacanagem fica por conta de cada um. E parem com essa idéia de clonagem e livrem a humanidade de um novo Micelli!

(*) Texto originalmente escrito em 29/12/2002

São Silvestre: uma grande catarse coletiva

por Sylvio Micelli

Acompanho a famosa e tradicional corrida desde 1980, quando José João da Silva acabou com um jejum de títulos do Brasil na competição. Sempre gostei de ver a disputa. Primeiro, porque sou paulistano e a corrida enaltece nossa cidade. E outra, porque gosto de esportes em geral.

Mas, tinha uma dívida comigo mesmo. Em 1999, assistindo a uma São Silvestre, prometi a mim mesmo abandonar o vício do fumo e, para provar minha saúde debilitada pela nicotina, correria no último dia do ano seguinte.

Parei de fumar. Voltei. Parei de novo. Mas apenas agora em 2004 cumpri o que havia prometido a mim mesmo, cinco anos atrás. Mesmo bem acima do meu peso, sem ter preparado-me para a prova, desafiei a mim mesmo. Curioso que decidi correr apoiado por um amigo que, por problemas de saúde, sequer chegou a se inscrever.

Cheguei à velha e conhecida Paulista e olhava para aquele pedaço de chão tomado por calcanhares dos mais variados tipos e histórias. O que estariam fazendo ali, refleti. Que tipo de ambição, ou penitência, ou promessa, ou diversão levaram aquelas gentes de perto ou de longe. Sim, porque éramos nós, o brilho, a tradição, a festa. Os atletas de ponta eram profissionais e como tal encaravam a corrida como mais uma atividade, tal e qual escrevo meus textos ou um médico cuida de doentes.

Percebi, então, que se trata de uma catarse coletiva. Uma grande psicanálise a céu aberto, onde espantam-se monstros e reavivam-se as esperanças de um novo ano.

Quando deu a largada corri o máximo que pude. Aguentei apenas até à Consolação. Mas havia de provar para mim mesmo que chegaria ao final dos infindáveis 15 quilômetros.

E caminhei, andei, trôpego, fatigado... Comecei a perceber coisas que no dia-a-dia do trabalho, nem notamos. Como eu poderia imaginar que no meio do Elevado Costa e Silva, nosso velho Minhocão - havia uma subida irritante. Ou que o viaduto após a Avenida Rudge era tão íngreme depois de 8 quilômetros exaustivos. Quase esmoreci ao observar que entre a Líbero Badaró e o Largo de São Francisco havia uma subidinha que ali estava para aniquilar o resto de energia que eu tinha. Falar da Brigadeiro, então...

Pessoas me apoiavam. Outras me escrachavam. Aquilo era, para elas, também uma catarse. Talvez não quisessem pagar o "mico". Talvez não tivessem coragem. Alguns falavam "vai que falta pouco!", "você consegue!". Outros, "já acabou!", "ou sai daí gordão!"... Na subida da Brigadeiro topei com alguns companheiros da competição que já voltavam. Apoiaram-me. "Vai que só falta você..." Minha meta era terminar a prova. Nem que para isso eu chegasse, guardada às devidas proporções, igual à atleta suíça Gabrielle Andersen-Scheiss, última colocada na maratona de Los Angeles nas Olimpíadas de 1984. Uma imagem, que muitos irão se lembrar e que até hoje emociona. Ela, cambaleando, até a linha de chegada.

Enfim, voltei à Paulista. Cheguei. Pisei o tapete que serve para cronometrar os tempos, como se um tapete vermelho houvesse sido estendido. E ao receber a medalha, mesmo chegando entre os últimos, chorei copiosamente porque, para mim, o importante é que a minha missão e o meu propósito estavam cumpridos.

"Corredor": 7192 - 80ª Corrida Internacional de São Silvestre
Texto originalmente escrito em 03/01/2005

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Micelli on Twitter - 11 Dec 2008

[Ronaldo quer "escrever história" no Corinthians] http://tinyurl.com/5fpy2v


[Declaração dos Direitos Humanos faz 60 anos] http://tinyurl.com/6ggbvv


[Vidas Secas completa 70 anos] http://tinyurl.com/6s8qay



[Entidades responsabilizam Estado brasileiro por política de extermínio] http://tinyurl.com/5qm6kw


[Comissão que revisará currículo dos cursos de Jornalismo só será conhecida em 2009] http://tinyurl.com/5wr2lo


[Bom exemplo de jornalismo para mulheres] http://tinyurl.com/657q9q


[O futuro dos jornais: avançando além das árvores mortas] http://tinyurl.com/624m76


[Estudo da ANDI trata da regulação da mídia na América Latina] http://tinyurl.com/5mwfkh


[A liberdade de comunicação não é absoluta] http://tinyurl.com/5w3cah


[Universia indica como elaborar a monografia de forma correta] http://tinyurl.com/59wx7q


[Cinema em Cena lança comunidade para cinéfilos] http://tinyurl.com/6kdcn5


[Pequim pode ter web sem fio por toda a cidade] http://tinyurl.com/674ngn


[Murdoch defende jornais e critica pessimismo mundial] http://tinyurl.com/5nal7d


"Vocês aí que sempre economizaram tanto para os dias piores, podem começar a gastar: os dias piores já chegaram." Millôr Fernandes


[Telefonia móvel lidera ranking de reclamações do Procon] http://tinyurl.com/5v5nhu


[O que o mercado de e-mail marketing espera de 2009] http://tinyurl.com/5equ8s


[Datena acusa Ibope de ladrão] http://tinyurl.com/5qa7n8


[Brasil é 10º país em usuários de banda larga] http://tinyurl.com/5jf3cp


[Apresentação de Ronaldo será aberta para 6 mil fãs] http://tinyurl.com/6r3hfb

[Brasil continua líder mundial de juros, diz consultoria] http://tinyurl.com/5qt289


[A vez dos títulos públicos] http://tinyurl.com/5knvn9


[Brasil só cresce 2% em 2009 com rápido corte de juros e mais gastos, diz Fator] http://tinyurl.com/5hz3bp


[Controle cambial e mudança de política] http://tinyurl.com/6a2kgp


[Leia a Declaração Universal dos Direitos Humanos] http://tinyurl.com/567ngm


Bom dia! Notícia previsível! [Copom decide manter a taxa Selic em 13,75%] http://tinyurl.com/5mbulm

quinta-feira, dezembro 11, 2008

ASSETJ engajada na campanha em prol das vítimas de Santa Catarina

por Sylvio Micelli / ASSETJ

A Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Assetj), sempre destacando seu lado social, também entrou na campanha de arrecadação de doações para as vítimas das chuvas que trouxe mortes e grandes transtornos ao estado de Santa Catarina.

As doações de roupas, alimentos e outras que o associado e demais servidores desejarem fazer podem ser entregues em quaisquer uma das sedes da associação em todo o estado. Elas serão recolhidas e encaminhadas ao Corpo de Bombeiros que fará chegar às vítimas catarinenses.

A ASSETJ conta com a sua colaboração, afinal, ajudar ao próximo e ajudar a si mesmo. Mais informações podem ser obtidas em nossas sedes ou pelo telefone (11) 3291-4077.

domingo, novembro 02, 2008

Guido Mantega e a mendiga

por Sylvio Micelli

Vou à janela do meu quarto acender um cigarro. No sábado à tarde pretendo dormir um pouco após o saboroso almoço que minha mulher preparou. Sobre a cama, ela já sonada e meu filho, com alguns brinquedos, aguardam-me para dar a eles o carinho que só o amor de família pode proporcionar.

Pela janela deparo-me com uma cena insólita, que todos sabemos que ocorre, mas pouco de nós 'perde tempo' para analisá-la. Enquanto trago um cigarro, mesmo sabendo do mal que certamente ele me faz, observo uma senhora. Deve ter uns 60 anos. Tem o rosto e as mãos carcomidos pelo deus Cronos e analisa criteriosamente o saco de lixo, que há pouco coloquei para ser retirado.

Algo habitual e rotineiro, os lixeiros visitam minha rua aos sábados e como decidi descansar um pouco, pus o saco de lixo antes do horário habitual. Aliás é deveras comum eu perder o horário do amigo lixeiro e só lembrar da coleta quando ouço os pneus cantando na esquina da minha casa.

Esta senhora analisa meu lixo criteriosamente. Ela está alheia aos carros e cachorros que passam pela rua. Conceitos de limpeza - ela aje sem luvas - e vergonha, há muito deve ter sublimado.

Digo a vocês que não há nada demais em meu lixo físico, daquele que pode ser mensurado. Material inservível que advém da raça humana, restos de cascas do preparo da comida, algumas latas de cerveja, pois aproveitei o sol que beija minha face aqui pelos lados da Mooca e muitos jornais, como sói acontecer a um profissional da comunicação.

Ela abre o saco com cuidado. Percebo que a senhora não quer fazer baderna ou deixar restos espalhados pelo chão. Após analisar o lixo e eu analisá-la, algo em torno de dez minutos não mais do que isso, ela recolhe as latas, um cabide desses de lavanderia amassado, alguns papéis que, certamente, são desenhos abandonados pelo meu filho e passa a fitar os jornais.

Pelos seus movimentos acredito que ela saiba ler. Curiosamente ela pega alguns cadernos de Economia que deixei de lado. Não valeu a pena colecioná-los, afinal, a Crise parece não ser tão mais problemática como semanas atrás. Ela para numa foto de Guido Mantega. Tento decifrar no que pensa. Será que se interessou pelo nosso genovês ministro ou saberá da crise? Isso afeta quem vende latas e jornais por míseros centavos de sobrevivência?

A verdade eu nunca saberei. Mesmo sendo jornalista, não quis fazer perguntas a ela o que reflete, em parte, minha mediocridade. Senti-me impotente. O que eu poderia fazer a uma senhora que deveria estar com seus familiares, netos, no aconchego do lar num sábado à tarde? É bem provável que não posso fazer nada. Para ela não há bolsas-família ou coisas do gênero. Resolvi escrever. Apenas para minimizar o quão lixo senti-me; mais até do que as coisas que ela pegou.

quarta-feira, outubro 15, 2008

A evolução humana e o litígio das palavras

por Sylvio Micelli

"A liberdade, a qual, mesmo tardia, contudo olhou para mim inerte" (Libertas quae, sera, tamen respexit inertem). Virgílio (70-19 a.C.), Écloga, I, 27

Ao longo deste ano temos observado o direito à vida de embriões congelados e, por conseqüência, a pesquisa com células-tronco. Sob o aspecto legal seria apenas mais uma matéria pertencente ao chamado Direito Positivo de ordem pública e constitucional.

Como num estádio de futebol, prática constante neste país, as pessoas são induzidas a torcer para Flamengo ou Fluminense; ou Corinthians e Palmeiras, sem que lhe sejam concedidos subsídios bastantes para analisar a questão a fundo. Por sinal, a maioria, decerto, estará preocupada com as mais recentes cenas picantes dos folhetins das nossas TVs abertas. Já refuto aqui, de imediato, que o tema fosse objeto de um plebiscito. O último que tivemos, sobre o desarmamento, foi falho e risível, além da alta monta financeira envolvida. Além disso, tento imaginar como seria uma campanha hipócrita pela TV, a mostrar fetos mortos, células vivas e torcidas organizadas sedentas por mais imagens horrendas para o regozijo das cleópatras de plantão.

O assunto passa, invariavelmente, pelo direito à vida, a envolver preceitos religiosos e morais. Este embate é regulado pela ética.

Pois bem. A humanidade parece fadada a caminhar para trás quando o assunto é seu próprio crescimento e desenvolvimento. Historicamente, a Igreja – leia-se aqui a Católica, principalmente – sempre teve por hábito prestar a sua não contribuição ao avanço da sociedade. Isso não mudou ao longo dos séculos e, certamente, não mudará. Os dogmas são eternos, ou apropriando-me de uma visão de Karl Marx, “a religião é o ópio do povo” (*). Não entro aqui na questão meritória do catolicismo, mas não posso nem vou vendar-me e não constatar que muito do atraso da sociedade se deve a este e outros tipos de visão turva.

Moral? O que vem a ser moral? É importante destacar que há tênue diferença entre o morus romano e o ethos grego. Este tem um caráter normativo determinado pela sociedade. Aquele tem um aspecto personalista, ou seja, varia de acordo com o conceito de cada um. De fato, refletir sobre a vida, não é algo simples. Mas vai do conceito. E apimento mais a discussão, ao traçar um paralelo com o aborto, outro assunto a ser discutido por ferozes torcidas.

O que é moral? Abortar ou ver uma criança morrer de fome? O que é ético? Permitir que pesquisadores realizem seu trabalho em prol da humanidade? Ou discutir, apenas de forma léxica, quando começa a vida?

Oras. O Supremo Tribunal Federal tem sido instado sobre o tema, a responder do ponto de vista vernacular. Qualquer resultado que não seja a ampla e total liberação da utilização de embriões congelados que possibilitem a continuação de pesquisas será legal, aprovado pela instância tida como “guardiã da Constituição”; será moral para boa parte das mentes inexpertas que passam ao largo da discussão; será ética para determinados setores da Intelligentsia nacional. Mas será que podem estancar o direito de outra parte da sociedade que respeita e apóia o desenvolvimento humano em todas as instâncias?

Os embriões ora utilizados estarão vivos para todo o sempre e para o desenvolvimento de toda a humanidade. Isto é o que realmente importa.

* em alemão "Die Religion ... Sie ist das Opium des Volkes.") é uma citação da Crítica da Filosofia do Direito de Hegel (em alemão, Kritik des hegelschen Staatsrecchts) de Karl Marx, obra publicada em 1844.

Texto originalmente escrito em 04/04/2008